Modelo da Mente
- Fabiano Machado Ferreira

- 28 de jun. de 2021
- 5 min de leitura
Atualizado: 29 de abr. de 2022
Leitor, você sabia que mente e cérebro não são a mesma coisa? Enquanto o cérebro é algo físico, a mente é algo não físico.

Muitos autores, tais como Henri Bergson, Pierre Janet, Sigmund Freud, Carl Jung, Joseph Murphy, Napoleon Hill, Lauro Trevisan, Daniel Kahneman, Anthony Hamilton, Augusto Cury, Elliot Aronson, David Eagleman, Daniel Goleman, Wayne Dyer, Charles Duhigg, Michael Arruda, Franz Mesmer, James Esdaile, Milton Erickson, Michel Foucault, etc., em áreas distintas trabalharam e trabalham com a mente e, não necessariamente dão a mesma nomenclatura para mencionar o objeto mente e suas divisões. São tantos que se torna, de certa forma, impraticável citá-los aqui. E por que tantos autores? Simples, porque falar da mente humana é falar de quem somos nós. E todos nós buscamos compreender quem somos de uma maneira ou de outra, tanto como indivíduos únicos, tanto como um todo. Basta entender que alguns tantos escrevem sobre esse tema. Dito isso, afirmo que não posso mencionar todos os grandes autores que falam sobre a mente humana, muito menos destacar a visão de cada um. Até porque não conheço a visão de todos, e mesmo que conhecesse, traria meu olhar objetivo e particular sobre cada autor. Afinal assim o é de forma geral. Trago então, ao meu ver, e tudo aqui neste artigo é ao meu ver, a visão da mente por um dos mais atuais estudiosos da mesma, o especialista em hipnose, fundador do OMINI Hypnosis training Center, Gerald F. Kein. Ele foi discípulo do famoso apresentador de rádio, comediante, compositor, e uma grande figura no campo da hipnose, Dave Elman.
Gerald F. Kein, mais conhecido por Jerry Kein, nos diz que a mente se divide em três partes: consciente, subconsciente e inconsciente. A mente inconsciente é responsável por apenas duas funções: o sistema nervoso autônomo (respiração, circulação de sangue, digestão, etc.); e o sistema imunológico (conjunto de elementos no corpo humano que defende o corpo contra doenças, vírus, bactérias, micróbios, etc.). Por que dizemos que fazem parte do inconsciente? Porque acontecem sem que percebamos, sem a necessidade de nossos comandos.
A nossa mente consciente tem quatro funções: pensamento analítico, pensamento racional, força de vontade, e as memórias de curto prazo. O pensamento analítico diz respeito a analisar situações e tomar decisões tendo como base as circunstâncias (por exemplo: vai estrear no cinema um filme com meu ator favorito, portanto vou assistir). O pensamento racional nos traz os motivos e as razões pelas quais estamos executando alguma ação (por exemplo, você está lendo este artigo por ser um assunto que lhe agrada, ou por alguém ter feito boas referências a respeito dele). Não necessariamente as razões apresentadas pelo consciente são as melhores, mas sim as que ele conhece baseadas no que o subconsciente diz ser certo ou errado. A força de vontade funciona como uma bateria, que nos inspira muita vontade de fazer algo, mas que com o tempo vai se enfraquecendo (como desejar fazer uma dieta, ou ganhar músculos, ou escrever um livro), essa força de vontade diminui, mas pode ser restaurada. A memória de curto prazo é a memória que retemos por um curto espaço de tempo em nossas mentes, não tem muita capacidade de armazenamento de informação (por exemplo, quando estamos lendo uma frase, utilizamos ela para lembrar o início do que foi dito).
A mente subconsciente possuí cinco funções. É nela que passamos a maior parte do tempo: memórias de longo prazo, hábitos, emoções, auto preservação, e ociosidade. Ela funciona como um computador que se baseia em toda programação que foi inserida nele durante a vida para fazer com que sejamos o tipo de pessoa que ela acredita que devemos ser. A memória de longo prazo, em contraste com a memória de curto prazo, guarda um número ilimitado de informações, tudo o que já vivenciamos e imaginamos se encontra dentro de nosso subconsciente, sem restrição. O acesso a essas informações não ocorre de maneira linear, acontece mais por intensidade e está mais interligado a emoções e sentimentos, sejam positivos ou negativos. Saiba mais sobre a diferença entre emoções e sentimentos no post Emoções e Sentimentos. Os hábitos são tudo o que fazemos de forma repetitiva, dando-se conta disso ou não (como por exemplo bater três vezes na porta para que alguém abra, ou sentar-se sempre em um lugar específico), um hábito pode ser algo benéfico ou não. As emoções são programas de ação coordenadas pelo cérebro que gerencia alterações em todo o corpo, com o intuito de fazer o indivíduo agir sem perda de tempo gerando comportamentos biologicamente vantajosos diante de uma necessidade imediata. A autopreservação faz o subconsciente nos proteger de tudo o que ele acredita ser perigoso para nós, mesmo que não concordemos. E se molda de acordo com nossas vivências, criando repetições agradáveis ou desagradáveis. Por exemplo, se em dado momento de minha vida, especialmente quando criança, me assusto com uma barata, meu subconsciente entende tal experiência como ruim e para me “salvar”, antes mesmo de eu ver uma barata novamente, ele cria as mesmas sensações do primeiro estímulo que tive. Ele não faz por mal, apenas quer cortar caminho, evitar que eu passe por todo o sofrimento de novo, então joga automaticamente para a sensação de ver a barata. A ociosidade traz à tona o fato de que nossa mente não gosta de mudanças. Tudo o que demanda esforço não é bem-vindo. Nossa mente prefere não mudar as programações já instaladas, por isso demandar trabalho e esforço. E como mudar hábitos, costumes e crenças gastam energia, o subconsciente prefere nos dizer não. É mais confortável assim. Por isso não é tão simples mudar nossa maneira de pensar.
Convém afirmar e destacar que tudo o que está na mente subconsciente é real para você, leitor, pois o subconsciente não difere o que é real do que e imaginário. Por este exato motivo nos emocionamos ao ver um filme, choramos ou sorrimos. E por isso o que existe em nossas mentes é real, justamente por nos fazer sentir. O subconsciente não pensa, ele só executa.
Jerry Kein não faz menção a alguma diferença entre emoção e sentimentos, portanto eu reitero que os sentimentos (percepção consciente e parcial das emoções) são conscientes, como já mencionei no artigo Emoções e Sentimentos citando António Damásio.
Entre a mente consciente e a mente subconsciente existe algo que podemos chamar de faculdade crítica ou fator crítico, que funciona como uma barreira entre o consciente e o subconsciente e que decide o que pode passar pelo consciente e entrar dentro do subconsciente, o que se pode julgar como certo ou errado, aceito ou não de acordo com as programações instaladas lá. Quando rebaixamos essa faculdade crítica, é possível acessar e instalar novas programações dentro da mente subconsciente. Esse rebaixamento ocorrer através de práticas como a hipnose, por exemplo, que, segundo a Sociedade Americana de Hipnose Clínica (American Society of Clinical Hypnosis), é a ultrapassagem da barreira do nível crítico da mente consciente e o estabelecimento de um sentimento ou pensamento elegido e permitido. Quando estamos próximos de pessoas que tem autoridade sobre nós e que respeitamos, o fator crítico baixa de forma automática, como por exemplo, pais, professores, cônjuges, psicólogos, etc. E permite que as informações entrem diretamente no subconsciente sem que tais informações sejam questionadas ou avaliadas. A faculdade crítica é rebaixada também em atividades que envolvam relaxamento como a meditação, ou atividades que tragam um cansaço físico. E sempre quando estamos em estado hipnopômpico (entre o sono e a vigília). Ocorre também com o uso de entorpecentes como maconha ou bebida alcoólica, porém não se faz interessante por haver junto alucinações e devaneios. Perceba como a mente é algo importante e fascinante. E mais importante ainda é compreendê-la. A mente humana é realmente muito interessante, não é mesmo, leitor? Saiba mais sobre a mente humana no post Id, Ego e Superego e no post Memória. Tenho certeza que você vai apreciar a leitura.
Para assistir ao vídeo deste post, acesse o link: Modelo da Mente (Consciente, Subconsciente e Inconsciente)





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