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Memória

  • Foto do escritor: Fabiano Machado Ferreira
    Fabiano Machado Ferreira
  • 2 de jul. de 2021
  • 5 min de leitura

Atualizado: 1 de nov. de 2022

Na história da humanidade, há dois cérebros que foram conservados e estudados, sendo considerados de vital importância para a compreensão do funcionamento do cérebro. Um, é o cérebro de Albert Einstein, o outro, é o cérebro de H.M..


Antes de falarmos sobre o que é, suas fases e tipos de memórias, convém conhecermos um personagem muito importante neste campo de conhecimento, o americano Henry Gustav Molaison, mais conhecido no âmbito da neurociência pelas iniciais H.M. Quando H.M. tinha 9 anos de idade, ele foi atingido por um ciclista e bateu sua cabeça na calçada sofrendo traumatismo craniano. O que principiou nele uma epilepsia incurável que com o decorrer dos anos causou crises que foram se agravando cada vez mais. Aos 27 anos de idade, H.M. tinha cerca de 10 convulsões por dia e ao menos uma grave por semana que o fazia perder a consciência. Ele fez então uma cirurgia que o curou da epilepsia. Nesta cirurgia, os dois lados do seu hipocampo foram removidos. O hipocampo tem um formato parecido com um cavalo-marinho, por isso seu nome, se localiza nos lobos temporais do cérebro humano. Após a cirurgia, ocorreu tudo bem com H.M. e as epilepsias diminuíram drasticamente, para aproximadamente duas vezes ao ano. Porém, assim como a personagem Lucy, interpretada por Drew Barrymore, atuando ao lado de Adam Sandler no filme, de 2004, “Como se Fosse a Primeira Vez”, produzido por Happy Madison e Flower Films, H.M. se tornou incapaz de criar novas memórias. E passou todos os dias restantes de sua vida como se estivesse acordando após a cirurgia. A partir desta cirurgia, foi então constatado que o hipocampo é muito importante para a memória. Mas, infelizmente, os médicos não sabiam disso naquele momento.


A memória é a capacidade do cérebro de adquirir, armazenar e recuperar dados e informações quando necessário. Na aquisição, o indivíduo recebe dados e informações externas que são processados e transformados em códigos, através dos cinco sentidos, formando algum tipo de significado. No armazenamento, após as informações serem codificadas, elas são retidas no cérebro. O tempo dessa retenção varia de acordo com o tipo de memória que é utilizada. Na recuperação, o indivíduo resgata os dados e as informações armazenadas juntamente com seus significados.


As memórias podem ser classificadas em relação a seu armazenamento basicamente em três tipos: memória sensorial, memória de curto prazo e memória de longo prazo. Elas acontecem de forma gradativa.

A primeira memória que temos acesso é a sensorial. Dependendo da importância da informação para o indivíduo, ela se torna memória de curto prazo. E, caso ela seja ainda mais importante, se transforma em memória de longo prazo. A memória sensorial é a forma mais breve de memória. Tem início nos 5 sentidos e é armazenada por um curtíssimo espaço de tempo, que geralmente leva menos de um segundo. Caso as informações processadas não sejam armazenadas, elas são descartadas. Quando armazenadas, passam a ser uma memória de curto prazo. Tudo o que vemos, ouvimos e sentimos faz parte da memória sensorial.


A memória de curto prazo também é chamada de memória de trabalho e é utilizada para informações que precisamos por um curto período de tempo. As informações são registradas temporariamente da mesma forma que a memória sensorial, porém têm uma duração um pouco maior. O tempo necessário para utilizar-se das informações que foram adquiridas. O que geralmente leva menos de um minuto. Como, por exemplo, olhar um número de telefone ou um endereço e anotá-lo, ou compreender uma frase durante uma conversa. Informações que depois são descartadas se não houverem repetições das mesmas.


A memória de longo prazo tem tempo de duração indeterminado. Ocorre depois de haver uma consolidação da memória, quando os dados e as informações são armazenados. Por ser uma memória com mais armazenamento é subdividida. Pode ser explícita ou implícita. A memória explícita também é chamada de declarativa e pode ser episódica ou semântica. A memória episódica está relacionada a eventos, experiências pessoais, rostos, vivências. Tem uma data e momento específico, assim como o primeiro dia de aula, o primeiro beijo, o momento mais feliz que já vivenciamos, etc. É um tipo de memória pessoal na qual há uma relação íntima entre quem recupera a informação e o que se está recuperando. A memória semântica se relaciona a fatos atemporais. Se refere a conhecimentos gerais, como palavras, significados, regras gramaticais, fatos históricos, etc. Não está ligada a nenhum fato específico do passado. Por exemplo, o significado das letras, dos números, das palavras, definições de palavras, o saber do que as coisas são feitas, significados e significantes já compreendidos pelo indivíduo. A memória implícita é não declarativa e subdivide-se como procedural. Está memória não precisa ser declarada, enunciada. Ocorre de forma automática e é utilizada para exercer habilidade ou agir de acordo com a necessidade de certos procedimentos. Este tipo de memória é apreendida por condicionamento clássico. Ou seja, através da associação e de estímulos repetitivos acabamos assimilando as informações. Está relacionada as habilidades. Assim como andar, falar, escovar os dentes, abrir uma porta, etc.


Agora voltamos a falar sobre o personagem mencionado no início deste conceito, H.M.. Doutores estudaram seu caso até sua morte recentemente no ano de 2008 e provavelmente continuam estudando até a atualidade, da mesma maneira que nós, leitor, estamos estudando agora. Graças ao que ocorreu com H.M., pode-se compreender que áreas distintas e específicas do cérebro fazem parte dos estágios de formação e consolidação da memória e que o hipocampo é crucial neste processo. Convém afirmar que foi possível compreender através deste caso que memória e aprendizados se dão em áreas diferentes do cérebro. Pois H.M., após a cirurgia, aprendia coisas novas, melhorava em relação a determinados conhecimentos, mas não podia se recordar quando, onde ou como havia aprendido tais informações.


Quanto a perda da memória, pode ocorrer por esquecimento ou amnésia. O esquecimento é absolutamente normal e saudável. Pois precisamos descartar informações que não são importantes para que possamos nos concentrar no que julgarmos mais necessário ao momento. Já a amnésia é considerada uma patologia, pois se relaciona a um déficit na memória de longo prazo resultante de doenças, lesões ou traumas. A amnésia pode ser retrógrada, anterógrada ou amnésia global. A amnésia retrógrada está relacionada a perda de memórias passadas. A amnésia anterógrada se relaciona a incapacidade de formar novas memórias, que é o caso do paciente H.M. E a amnésia global envolve as duas amnésias recém mencionadas. Em contraste a amnésia, temos a hipermnésia que é a uma facilidade muito grande de acessar qualquer lembrança, qualquer memória já vivenciada e que se encontram estabelecidas no armazenamento de memórias de longo prazo.


Quanto a memória que envolve outras vidas podemos mencionar três tipos de memórias: a memória holobiográfica, paralexo e memória procedural holossomática. A memória holobiográfica está relacionada a eventos da vida atual, de vidas passadas e vivências extrafísicas. O paralexo está relacionado a todos os significados aprendidos pelo indivíduo em todas as suas vidas e entrevidas. E a memória procedural holossomática está relacionada as habilidades e condicionamentos no como lidar com o corpo não físico. As informações recém citadas neste parágrafo são advindas do Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia, e, de acordo com o instituto, a junção de todas essas memórias é chamada de Holomemória.


Na hipnoterapia, acontece uma hipermnésia. Através da hipnose é possível acessar qualquer tipo de memória, memórias de longo prazo, memórias de traumas, memórias de outras vidas. Qualquer tipo de memória. E o que é interessante, é que quando estamos tratando um determinado indivíduo, não é preciso saber qual memória acessar. O subconsciente sabe exatamente quais memórias são importantes e precisam ser acessadas. E por comando do hipnoterapeuta nos direciona exatamente o momento no espaço-tempo que precisa ser ressignificado. A hipnose é algo incrível, não é mesmo!


Para assistir ao vídeo deste post, acesse o link: Memória

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