Signos Linguísticos
- Fabiano Machado Ferreira

- 9 de ago. de 2022
- 3 min de leitura
Você sabia que as palavras que você usa no dia a dia não têm apenas um significado, mas também um significante? E o que é um significante? E o que isso tem há ver com terapia?

Antes de falarmos sobre signos linguísticos, vamos falar do linguista e filósofo suíço Ferdinand de Saussurre. No começo do século XX, Saussurre ministrou três cursos entre os anos de 1906 a 1911, vindo a falecer logo em seguida, em 1913. Saussurre não guardava rascunhos, nem mantinha suas anotações. Portanto, após a sua morte, alguns de seus alunos, reuniram o conteúdo dado em suas aulas e criaram o Curso de Linguística Geral, publicado em 1916, pela editora Payot de Paris. As ideias de Saussure desenvolveram a linguística como ciência autônoma e são a base que nós nos utilizamos ainda hoje, mais de um século depois.
Quanto ao signo linguístico, ele pertence a Semiologia, uma subdivisão dentro da Linguística. Signo é a representação da realidade por meio da palavra onde existe um significante ligado a um significado. Significante é a palavra, uma imagem acústica, uma imagem mental relacionada a palavra ou a imagem. Já o significado é o conceito atrelado a essa palavra. A relação entre o significado e o significante é arbitrária. Isso quer dizer que não existe uma lógica ou determinação do porquê ser assim, do porquê o significante com o objeto o qual jogadores de futebol jogam ser chamado de “bola”. Poderia ser chamado de “obol”, por exemplo. O significante representa uma extensão que é medida em uma só linha, uma só dimensão. Não é possível falar duas palavras ao mesmo tempo e tanto as sílabas como as palavras aparecem uma após a outra, por exemplo, “me-ni-no”, e na frase: “O menino chutou a bola”. As duas características do signo então são que significante e significado são arbitrários e o significante é sempre linear. Saussurre nos diz que:
O signo linguístico une não uma coisa e uma palavra, mas um conceito e uma imagem acústica. Esta não é o som material, coisa puramente física, mas a impressão psíquica desse som, a representação que dele nos dá o testemunho de nossos sentidos; tal imagem é sensorial e, se chegamos a chamá-la “material”, é somente neste sentido, e por oposição ao outro termo da associação, o conceito, geralmente mais abstrato.
Ele afirma ainda que “na realidade, tudo é psicológico na língua, inclusive suas manifestações materias e mecânicas como troca de sons”. O mais importante ao mencionamos o signo linguístico é a similaridade e a metáfora que ele vai nos trazer para que possamos compreender de melhor forma a ideia de aprisionamento e de liberdade que quero lhe transmitir no decorrer destes posts. O que vai aos poucos ocasionar em um entendimento mais útil de âmbos os conceitos.
Se eu, Fabiano Machado, tivesse a capacidade de voltar no tempo fisicamente e assistir qualquer evento histórico mundial. Eu certamente iria participar de um destes cursos, nem que fosse por um dia, nem que fosse por uma hora. Ferdinand de Saussurre é uma das figuras mais importantes das tantas que eu cito nestes posts. E a compreensão deste conceito simples do signo linguístico pode abrir portas mentais incríveis para qualquer indivíduo, principalmente para você, leitor.
E o que isso tudo tem a ver com a terapia? Ao comprender o que é um signo linguístico e as suas características, é possível compreender também que a representação daquilo que causa dor ao paciente pode ser reinventada, pode ser reconstruida de uma maneira que se torne mais benfazeja para o paciente. É muito importante compreender o signo linguístico e a sua função dentro da língua. O famoso psicanalista francês Jacques-Marie Émile Lacan utiliza-se da linguística de Saussure em sua psicanálise. E eu faço o mesmo, eu utilizo Saussure na minha terapia principalmente para desconstruir ideias doentias ou limitantes e contruir ideias fortalecedoras, edificantes.
Para assistir ao vídeo deste post, acesse o link: Signos Linguísticos





Comentários