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Id, Ego e Superego

  • Foto do escritor: Fabiano Machado Ferreira
    Fabiano Machado Ferreira
  • 28 de jun. de 2021
  • 5 min de leitura

Atualizado: 29 de abr. de 2022

Falar sobre id, ego e superego é falar sobre o comportamento humano e sobre como buscamos nos portar diante das situações que a vida nos apresenta, sob controle e decisões, entre o que vemos como certo e errado tanto de maneira individual como dentro de uma sociedade universal.



Leitor, antes de falarmos sobre id, ego e superego, vamos buscar entender o que é moral e o que é ética. A palavra moral vem do latim “morales”, e significa relativo aos costumes. A moral é um conjunto de normas de conduta que são consideradas padrão em uma determinada sociedade e em um determinado momento. Os fatores que a regram não são racionais. Tem a ver com religião, cultura, hábitos, a história do povo, entre outras coisas. São um comportamento herdado pela comunidade, pelo grupo social no qual o indivíduo vive. E por isso as regras morais variam de local para local e de época para época. Por isso há grandes diferenças entre uma cultura ocidental e uma cultura oriental, por exemplo. Ou mesmo dentro do mesmo ambiente, diferenças gritantes entre uma época e outra. O que vai de encontro a norma moral pode ser penalizado de alguma forma, assim como criminalmente, civilmente ou informalmente. Certos criminosos têm como penalidade fora do Brasil a sentença de morte, que no Brasil é vista como algo imoral, incorreto. A maioridade penal no Brasil atualmente é de 18 anos, mas já foi de 7 anos durante o Brasil colonial. Nos Estados Unidos hoje é de 16 a 18 anos dependendo da localidade dentro do país. Veja que a moralidade está também muito atrelada aos costumes distritais. Enquanto em determinado local é permitido, por lei, ter apenas um cônjuge, em outro é permitido mais de um. Enquanto em determinado local é proibido ter relações sexuais com um indivíduo menor de 18 anos, em outros locais não o é. E por mais que pareça contraditório aos valores que você, leitor, possui, há leis morais que protegem tais valores, mesmo que sejam ideias totalmente diferentes das que você acredita e valoriza.


A palavra ética vem do grego “ethos” e significa modo de ser ou caráter. A ética é uma reflexão racional, filosófica e científica sobre o que é ou não moral dentro da sociedade como um todo. Ela analisa os comportamentos, hábitos, crenças, para determinar se eles são aceitáveis ou não, se podem ser considerados certos ou errados de forma universal. A ética está sempre disposta a rever seus valores, e se questiona o porquê das coisas. Tenta evoluir com a sociedade e compreender se as ações são positivas ou negativas de maneira a englobar todos os indivíduos. A ética busca o bem-estar de todos e se preocupa com as ações que afligem o todo, não apenas um indivíduo ou uma comunidade. Ela lida com valores universais e perenes, que são aqueles aceitos pela sociedade no mundo todo e que costumam ser aceitos em diferentes épocas, assim como justiça, igualdade, solidariedade, respeito, honestidade, responsabilidade, entre outros.


Não nascemos com ética, nem com valores morais. Eles são adquiridos ao longo da vida. Geralmente a moral e a ética estão bem figuradas dentro de filmes, onde há um “o que fazer” (moral) contra um “será que isso é realmente correto, mesmo indo contra o que o meu grupo diz ser certo?” (ética). O filme “Valente”, produzido pela Walt Disney Studios Motion Pictures em 2002, é um exemplo fabuloso disso. Ele conta a história da princesa Mérida que tem como obrigação seguir os costumes de seu reino e se casar com o príncipe que ganhar um torneio de arco e flecha. O que não é desejo de seu coração, e a faz desafiar a tradição e buscar um caminho diferente. Algo semelhante ao que acontece com a personagem Rapunzel no filme “Enrolados”, produzido também pela Walt Disney Studios Motion Pictures em 2011. Rapunzel recebe ordens da mãe de não deixar a torre, mas seu coração diz que há algo mais além das pedras frias do castelo, e que tem de descobrir o que realmente é certo. Em ambos os filmes o conflito moral tem momentos de ápice, mas se encontra abrangido em toda a história.


Agora, compreendendo de melhor forma o que é moral e o que é ética, vamos falar de id, ego e superego. De acordo com um dos mais famosos estudiosos da mente humana, referência mundial, o neurologista, psiquiatra e fundador da psicanálise, austríaco, extraordinariamente inteligente, penetrante, notável sob todos os pontos de vista, Sigmund Schlomo Freud, em nossa mente, há três eus: o id, o ego e o superego, os quais fazem parte da Teoria da Estrutura Psíquica. O Id (isso) nasce com o indivíduo e é composto de desejos, vontades e pulsões, que para Freud é aquilo que não paramos de desejar, diferentemente dos desejos e vontades que tem um fim. O id representa nossos processos primitivos e está relacionado a todos os impulsos não civilizados, do tipo animal. É a ideia do prazer sem medir consequências. O id não compreende moral, ética, lógica, racionalidade. É exigente, impulsivo, cego, antissocial e egoísta. É o nosso querer, como se fosse uma voz que nos diz: “Se você está com vontade, vai lá e faz. E foda-se o mundo!”. O superego (super eu) são os valores morais, os valores éticos e civilizados do indivíduo. É a parte da mente que age contra o id e nos diz o que é certo e o que é errado. São as nossas normas e valores sociais que foram internalizados por meio de aprendizado e de nossas comunicações com os outros e com o meio em que estamos inseridos. Seria uma voz que nos diz: “Não faz isso, pois não é certo”, ou “Faça isso, pois é o certo a se fazer”. Já o Ego (eu) é a personalidade do sujeito. E atua de acordo com o princípio da realidade, estabelecendo um equilíbrio entre o que o id quer e o que o superego diz, para que se possa agir de uma melhor maneira no mundo externo da mente. O ego é responsável pela tomada de decisão do indivíduo.


Vamos representar o id, o ego e o superego através de uma metáfora muito antiga que põe em cena um anjinho e um diabinho nos ombros de um indivíduo dizendo a esse indivíduo como ele deve agir em determinada situação. O ego é o indivíduo, o id é o diabinho e o superego é o anjinho.

Porém devemos vê-los de uma maneira diferente da costumeira. Preste atenção, o diabinho nos diz o que queremos fazer, sem se importar se isso é moralmente e eticamente aceito ou não, nossos desejos e pulsões (que podem ser moralmente e eticamente corretos ou não). Ou seja, nem sempre o que o diabinho nos diz seria ruim, como muitas vezes é caracterizado em obras tanto da literatura, quanto obras cinematográficas. E o anjinho nos diz se esses valores são aceitos pela sociedade ou não, a partir do que compreendemos como moralmente e eticamente correto ou incorreto. Ou seja, não necessariamente o que o anjinho chamado superego diz é correto, porém é correto na visão do indivíduo e da sociedade na qual ele está inserido, seja em um pequeno grupo ou um grupo universal. Essa ideia do anjinho e do diabinho é muito popularizada, principalmente em animações infantis, seja na literatura, como no cinema. O personagem Kronk dialoga e se comunica muito bem com esses personagens metafóricos de forma bastante cômica e característico ao modelo como geralmente são expressos na animação “A nova onda do imperador”, de 2000, produzido pela Walt Disney Feature Animation e pela Walt Disney Pictures. O mesmo acontece em sua sequência “A nova onda do Kronk”, produzido pela Walt Disney Pictures em 2005. O id, o ego e o superego fazem parte do segundo modelo topográfico de Freud, o consciente, o subconsciente e o inconsciente, mencionados no post Modelo da Mente, fazem parte do primeiro modelo topográfico. Juntos, ambos os modelos, formam o modelo da mente para Freud. O ego faria parte do consciente, enquanto o id e o superego fariam parte do subconsciente e do inconsciente (que são considerados por Freud apenas como inconsciente).


Para assistir ao vídeo deste post, acesse o link: Id, Ego e Superego

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