Esquizofrenia
- Fabiano Machado Ferreira

- 12 de jul. de 2022
- 5 min de leitura
Atualizado: 27 de jul. de 2022
A esquizofrenia é muito comum. Você foi diagnosticado ou conhece alguém que foi diagnosticado com está doença? O que é a esquizofrenia?

Dentre as doenças que existem mundialmente, a esquizofrenia tende a ser uma doença que é desconhecida por um grande número de pessoas. Geralmente, as pessoas sabem muito pouco sobre esquizofrenia até que ela apareça dentro do ambiente familiar, ambiente de amigos, conhecidos. A esquizofrenia é uma desordem no cérebro caracterizada por sintomas diferentes. E muitos deles podem dificultar a maneira como a pessoa pensa e age no mundo físico. Poderíamos dizer que uma pessoa com esquizofrenia teria dificuldade em discernir o que é real do que é imaginário. Um paciente diagnosticado com esquizofrenia geralmente tem dificuldade em controlar as suas emoções, os seus pensamentos de forma lógica e tem dificuldade em se relacionar com outras pessoas. Geralmente a reação de um pessoa que sofre de esquizofrenia está relacionada aos estímulos “imaginários” que ela está recebendo. Por exemplo, eu estou falando com vocês agora, mas tem uma voz falando ao meu ouvido ao mesmo tempo, e eu tenho de falar com vocês, e, ao mesmo tempo, prestar atenção a essa voz e possivelmente aos seus comandos. Ou nós estamos nos comunicando, mas eu acredito que este vídeo está sendo vigiado pelo FBI, então eu controlo muito o que eu falo diante da câmera. E talvez a questão maior seja a reação em resposta aos estímulos que o paciente acredita estar recebendo.
A esquizofrenia é mais comum do que se pensa. Aproximadamente uma a cada dez pessoas desenvolvem a esquizofrenia. É duas vezes mais comum do que o Alzaimer ou do que o HIV. Cinco vezes mais comum do que a Esclerose múltipla e 6 vezes mais comum do que a diabetes tipo 1. A esquizofrenia é comum em âmbos os sexos e acontece independentemente de raça, cultura, ou situação sócio econômica ao redor do mundo. Em crianças é algo mais raro, aproximadamente 1 para cada 40 mil crianças. Geralmente ocorre mais em homens, e ocorre mais entre a adolênscia e os 25 anos, e nas mulheres mais entre os 25 e 35 anos. Porém, isso não é uma regra geral.
As causas da esquizofrenia e o que é realmente a doença, não se sabe ao certo. Se tem um diagnóstico baseado em sintomas. O que acontece com muitas doenças psicológicas, não é possível fazer um raio x ou uma ressonância e identificar uma síndrome do pânico, ou uma ansiedade ou uma depresão, por exemplo. São os sintomas comparados a outros pacientes que passaram pelo mesmo tipo de sintomas que provalecem um diagnóstico. Desta mesma forma ocorre com a esquizofrenia. Se analisa o seguinte: “Olha, os sintomas são estes… então há uma probabilidade de haver está doença”. Há outras doenças psicóticas que têm sintomas semelhantes à esquizofrenia assim como o transtorno esquizoafetivo, o transtorno bipolar, uma depressão profunda, transtorno de personalidade, e também o uso e abuso de drogas e substâncias que alterem os sentidos. Convém afirmar também que a hereditariedade é um fator de risco para a doença.
Podemos classificar em três os tipos de sintomas: os sintomas positivos, os sintomas negativos e os sintomas cognitivos. Os sintomas positivos não têm a ver com algo bom, por ter a palavra positivo. Tem a ver com adicionar uma realidade ao ambiente. E essa realidade geralmente não é positiva. Essa realidade pode aparecer de forma visual, auditiva, ou sensorial. Mas o mais comum ocorre de forma auditiva, através de vozes. E essas vozes tendem a ser acusativas afirmando que a pessoa é responsável por algo ruim, assim como ter machucado alguém ou ser responsável por um evento cataclísmico, que envolva um certo desastre de grande escala ou mundial.
Uma pessoa com esquizofrenia geralmente sofre também de delírios, que são crenças específicas que para ela tem razão e lógica. Como, por exemplo, imaginar que pessoas usando roupa vermelha fazem parte de um grupo organizado de pessoas que deseja espioná-la. O que provoca uma paranóia nesta pessoa, por vezes é comum ela pensar que os familiares estão tramando algo contra ela. A novela Caminho das Indias de 2009 retratou um pouco da personalidade de uma pessoa com esquizofrenia. Bruno Galiasso interpretou o personagem Tarso. Tinha uma cena na qual ele estava andando na rua e ouvia vozes o insultando, então ele jogava pedras nas pessoas. Aí temos um exemplo interessante que poderíamos dizer que se assemelharia ao que aconteceria com uma pessoa que sofre de esquizofrenia. Uma pessoa que não é tratada, seja de forma medicamentosa, seja através de terapia.
Os sintomas negativos funcionam como a falta de algo que deveria estar presente. Geralmente relacionados a comportamentos que seriam considerados normais, mas que se apresentam ausentes ou diminuídos. Assim como falta de motivação, ou lentidão para dar respostas, falar pouco, demonstrar emoções inadequadas as situações ou não demonstrar emoção alguma. E o paciente que sofre de esquizofrenia pode também não demonstrar prazer em coisas que a maioria gosta ou atividades que antes do diagnóstico lhe davam prazer. Isso pode frustar os familiares e amigos que geralmente acreditam que o paciente não está disposto a se esforçar ou assumir responsabilidades. Aproximadamente 25% das pessoas com esquizofrenia tem sintomas negativos.
Já os sintomas cognitivos afetam a maioria dos pacientes, assim como deficiências na memória, no aprendizado, na concentração e na capacidade de tomar decisões de forma mais sensata. Isso pode interferir no aprendizado de novas capacidades e na rememoração de coisas já aprendidas e em habilidades também já aprendidas. E esses sintomas podem dificultar com que a pessoa continue em um emprego, continue indo à escola, ou praticando atividades que praticava e gostava antes do diagnóstico. Para saber mais sobre o Modelo cognitivo, acesse ao post O Modelo Cognitivo e a Terapia Cognitivo-Comportamental.
O diagnóstico precoce é muito importante, pois ele vai ajudar muito na prevenção de agravar a doença. Quanto antes o paciente começar a se tratar, menos crises ele vai ter e menos intensa será a doença. Eu atendo pacientes com esquizofrenia e os ajudo a controlarem os sintomas da doença. O psiquiatra trabalha com os sintomas positivos. Eu sou psicoterapeuta e trabalho principalmente com os sintomas negativos e os sintomas cognitivos. Eu trabalho com duas terapias muito indicadas para quem tem esquizofrenia, a Terapia Cognitivo-Comportamental e a Hipnoterapia. Para saber mais sobre a Terapia Cognitivo-Comportamental, acesse ao post O Modelo Cognitivo e a Terapia Cognitivo-Comportamental. E para saber mais sobre a Hipnoterapia acesse ao vídeo Hipnose e Hipnoterapia.
Eu ajudo os meus pacientes a terem pensamentos mais positivos, a se sentirem bem consigo mesmos, a se comunicarem melhor com as pessoas a sua volta, a se concentrarem mais, a controlarem mais as suas emoções, a terem mais interações sociais, a socializarem mais de forma mais sadia e mais comunicativa. Isso entre diversos outros aspectos da vida dos meus pacientes que eu os ajudo a se sentirem melhor. Eu ajudo o paciente a encontrar uma melhor maneira de pensar, sentir e agir que constitua em uma melhora para ele. E sempre há uma melhora. Isso eu garanto. O paciente não regride. Ele progride sempre, as vezes um pouco mais devagar, mas na maioria das vezes de forma muito mais rápida.
Para assistir ao vídeo deste post, acesse o link: Esquizofrenia





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