O Pensamento Simbólico e a Metáfora
- Fabiano Machado Ferreira

- 20 de abr. de 2022
- 4 min de leitura
Atualizado: 20 de mai. de 2022
Você sabe o que o Pensamento Simbólico tem a ver com o “brincar de faz de conta”? E o que ele tem a ver com o uso de metáforas?

O pensamento simbólico é a capacidade que um indivíduo tem de mentalmente utilizar-se de elementos que não fazem parte do ambiente no qual ele está inserido no momento da elaboração de seus pensamentos. É a capacidade de evocar os objetos não presentes. É pensar sobre objetos e eventos que não estão dentro do ambiente imediato e fazer uso de ideias abstratas. É o pensar fora da caixa.
De acordo com o biólogo, psicólogo e epistemólogo suíço Jean William Fritz Piaget, considerado um dos pensadores mais importantes do século XX, o ser humano começa a adquirir a capacidade de utilizar-se do pensamento simbólico pelo final do período sensório motor entre 18 meses e 2 anos de idade. Brincando, a criança personifica objetos, transforma uma toalha de banho em uma capa de super-herói, por exemplo, ou uma vassoura vira uma espada. O brincar de “faz de conta” é uma expressão do que é o pensamento simbólico. Daí começa-se a construir a semiótica e os signos com seus significados e seus significantes começam a ter valor, envolvendo um ser que recorda, que memoriza. Aqui a linguagem é importante e consegue se distanciar dos objetos mais presentes.
Utilizamos, ao nos comunicarmos, expressões com o objetivo de enfatizar o que desejamos falar, deixando assim nossa comunicação mais expressiva, por meio de efeitos conotativos, enfáticos e indiretos. Esse tipo de expressões, dentro da comunicação, podemos chamar de Figuras de Linguagem. As Figuras de Linguagem utilizam-se do pensamento simbólico em suas expressões. Elas são divididas em quatro grandes grupos. Eu vou falar alguns termos técnicos. Perceba se você conhece algum deles, mas não se assuste, eu não vou me ater a todos estes termos neste post, vou apenas mencioná-los. As Figuras de Linguagem são: figuras de pensamento (Antítese, Paradoxo, Personificação, Hipérbole, Ironia, Sinestesia); figuras de palavra (Comparação ou Símile, Metáfora, Metonímia); figuras de construção ou sintaxe (Elipse, Polissíndeto, Hipérbato, Anáfora); e figuras de som (Assonância, Aliteração, Onomatopeias). Não vou especificar ou explicar cada um deles, mas sugiro que você, leitor, estude um pouco sobre tais figuras. Até porque “o saber não ocupa lugar”. Neste momento vou elucidar apenas a respeito da Metáfora.
O termo metáfora deriva do Latim e tem como tradução etimológica transportar pra fora. E busca ampliar a possibilidade de interpretação de um determinado signo linguístico. Trazendo então a ideia de algo que não é real ou comum, mas que faz sentido e contém verdade em si. Por exemplo, quando digo que “o coração da morena é de pedra”, não quero dizer que o coração dela realmente é de pedra, mas que tem similaridades com uma pedra, querendo dizer talvez que seja frio e duro. Ou quando digo que a vizinha é uma cobra, quero dizer que ela tem as características de uma cobra, podendo insinuar que essa pessoa é traiçoeira, perigosa, venenosa, e assim por diante. Não necessariamente a pedra é fria e dura, e não necessariamente a cobra é traiçoeira, perigosa e venenosa, mas há arquétipos coletivos que trazem tais características de maneira generalizada. Para saber mais sobre arquétipos acesse o post Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. Mesmo sem intenção, nos utilizamos de arquétipos. Perceba que uma palavra traz um conjunto de significados compartilhado. A metáfora permite uma experiência interior, por isso é possível adquirir uma interpretação mais profunda a respeito do que se está comunicando. Ela é interessante pelo fato de que aquela pessoa que recebe a informação dentro da comunicação muita das vezes cria seu entendimento a respeito do que está sendo comunicado.
A capacidade de criar figuras de linguagem, de pensarmos simbolicamente é um dos fatores que diferenciam o ser humano do animal. E não foi um fator que sempre existiu no ser humano. O pensamento simbólico pode ter evoluído nos seres humanos possivelmente no final do período Paleolítico Inferior, a mais de 70.000 anos atrás. Na verdade, foi a partir desse tipo de maneira de pensar que o ser humano tornou-se mais inteligente. Interessante, não!
O pensamento simbólico é algo muito importante para o ser humano. As figuras de linguagem também o são. E, por isso, a metáfora também é. A bíblia, por exemplo tem grande parte de seu conteúdo escrita em metáforas. Nós nos comunicamos constantemente por metáforas. E é muito importante compreender essas metáforas para que possamos nos compreender. Na terapia é possível não só compreender estas metáforas, como também se utilizar delas para criar uma melhor comunicação com nós mesmos, com a nossa própria mente e o nosso eu interior. E desta forma compreender melhor aquilo que nos incomoda e se livrar desse incômodo. Por que é normal incômodos aparecerem em nossas vidas, mas não é normal viver incomodado. Por que nós merecemos nos sentir bem, porque nós merecemos ser mais felizes. Porque você, que está lendo este post merece ser mais feliz.
Para assistir ao vídeo deste post, acesse o link: O Pensamento Simbólico e a Metáfora





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