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O Associacionismo e as Leis da Associação

  • Foto do escritor: Fabiano Machado Ferreira
    Fabiano Machado Ferreira
  • 6 de abr. de 2022
  • 4 min de leitura

Atualizado: 30 de abr. de 2022

O Associacionismo é uma teoria psicológica que vê a associação como base fundamental para a construção dos processos mentais. Afirma que todos os nossos pensamentos estão encadeados através de associações entre eles.



Esta teoria surgiu na Grécia antiga através de Platão e Aristóteles e foi ampliada e desenvolvida por alguns filósofos através do Empirismo Britânico. Vamos nos ater às ideias filosóficas do escocês David Hume, que além de filósofo, foi historiador e ensaísta britânico. Hume descreveu três Leis da Associação que influenciam nossos pensamentos: Lei da Semelhança, Lei da Contiguidade e Lei de Causalidade.


A Lei da Semelhança diz que nossos pensamentos se movem de uma ideia para outra ideia semelhante. E que quando pensamos em algo, pensamos outras informações que são semelhantes a este algo. Por exemplo, ao pensar em um amigo, penso em outros amigos relacionados a este amigo que pensei. Ou, por exemplo, ao pensar em um objeto quadrado, penso em outros objetos que se assemelham a este objeto quadrado, assim como um quadro me remeteria a imagem de um espelho ou de uma janela.


A Lei da Contiguidade diz que quando pensamos em um objeto, estamos tendenciados a pensar em outros objetos que estavam no mesmo local. Podendo ser local (quanto às coisas que aconteceram no mesmo lugar) ou temporal (quanto às coisas que aconteceram na mesma hora). Por exemplo, ao pensar em minha cama, posso pensar em meu travesseiro, minhas cobertas, meu ursinho de pelúcia, meu penico, etc. Ou, ao relembrar eu com o braço quebrado na infância, me vem também à memória, a bicicleta azul que eu estava guiando no momento do acontecimento, os amigos que estavam comigo, a rampa malfeita, a rua onde o acidente aconteceu, e assim por diante.


A Lei de Causalidade, lei de causa e efeito, afirma que quando pensamos em algo que é o efeito de uma causa anterior, pensamos também na causa. Para Hume, a causa deve ocorrer antes do efeito, ambas devem estar no mesmo espaço e acontecer em um curto espaço de tempo. Deve haver também uma união constante entre ambas e, ele acreditava também, que a mesma causa deve produzir sempre o mesmo efeito e o mesmo efeito deve ter sempre a mesma causa. Por exemplo, ao pensar no meu primeiro beijo, me recordo que antes desse beijo, estávamos brincando de salada de fruta.


A lei de semelhança frequentemente nos atrapalha, pois assimilamos e comparamos, muitas vezes mesmo sem perceber situações presente com situações passadas. Por exemplo, um determinado indivíduo pode não conseguir se relacionar com mulheres pois pode ter tido uma relação amorosa que não lhe foi agradável. Então a sua mente faz com que ele acredite que cada nova relação será igual a primeira. Você se recorda quando eu disse que a mente subconsciente é preguiçosa? Sim, e por isso ele prefere cortar caminho. Ela também é protetora e para não sofrer novamente estimula as sensações que o indivíduo teve lá no primeiro relacionamento, sem perguntar se ele quer ou não se sentir assim. O objetivo da mente é nos proteger, mas como ela é preguiçosa, vai fazer isso da maneira que pode. Para saber mais sobre a mente consciente, subconsciente e inconsciente, leia o post O Modelo da Mente. Para Hume, a conexão entre as ideias está relacionada a estas três causas. Ele afirma que:


Os três princípios de conexão de todas as ideias são as relações de semelhança, contiguidade e causalidade.

E o que essa informação toda tem a ver com a terapia. É possível usar essas informações para saber mais sobre o problema do paciente ou para ajudá-lo? Sim, é possível sim. Muitas vezes, realmente muitas vezes, uma pessoa acaba rememorando um determinado trauma ou uma determinada situação desagradável que ela experienciou no passado por causa das leis de semelhança e de contiguidade. E não percebe isso. Alguma coisa que ele experiencia no presente, ou que passa pelos seus canais sensoriais que tem a ver com o evento traumático sem que ele perceba e que traz a ele dor e sofrimento. Na terapia é possível compreender quais são essas informações e dissociá-las do evento traumático.


Ao mesmo tempo, para poder compreender o porquê de uma determinada pessoa pensar como ela pensa, ao acessarmos a sua mente, um dos objetivos principais é encontrar as causas dos problemas. Dentre essas causas procuramos os traumas, os eventos ativadores, que são os momentos exatos na linha do tempo do paciente no qual ele aprendeu a pensar como ele pensa e a se sentir como se sente. Procuramos também a primeira vez em que o paciente sentiu determinado sentimento.


Ansiedade, depressão, fobia não são sentimentos que nascem conosco. Nós os aprendemos no decorrer de nossas vidas, principalmente na infância, geralmente antes dos 10 anos de idade que é quando a nossa mente ainda está fazendo conexões entre novas emoções e determinados eventos. Compreender as causas do porquê nos sentimos como nos sentimos ou o porquê agimos como agimos ajuda imensamente na mudança almejamos dentro da terapia. Pois além de ajudar o paciente a compreender as causas, eu, Fabiano Machado, o ajudo a ressignificar certos momentos de sua vida, assim como momentos desagradáveis, doloridos, traumas que fizeram e fazem ainda o paciente sofrer de alguma forma. Porque nós não merecemos viver em sofrimento, porque você não merece sofrer. Eu não me canso de falar isso, você foi feito para se sentir livre, para se sentir feliz. Porque você merece ser feliz.


Para assistir ao vídeo deste post, acesse o link: O Associacionismo e as Leis da Associação

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