Hypnotic (Análise Completa do Filme)
- Fabiano Machado Ferreira

- 17 de fev. de 2022
- 15 min de leitura
Atualizado: 30 de abr. de 2022
Neste post, eu, Fabiano Machado, falo sobre e analiso o filme Hypnotic. Você já viu esse filme? Você gosta de filmes de suspense? Será que o conteúdo deste filme relacionado a hipnose é verídico?

O título do filme é Hypnotic. Não tem um título em português, mas a tradução literal seria: “Hipnótico”.Que diz respeito a aquilo o que hipnotiza ou que causa um transe. Eu vou falar brevemente sobre o enredo do filme e então vou analisar todas as cenas que dizem respeito a ideia de hipnose e hipnoterapia dentro do filme e compará-las com a realidade que eu presencio tanto na clínica quanto fora da clínica em se tratando de hipnose. Não vou trazer spoilers, e não vou me ater a toda trama do filme, apenas aos momentos relacionados a hipnose e a terapia.
Na história de Hypnotic, podemos acompanhar a personagem Jenifer Tompson, a Jenn (Kate Siegel), uma mulher que se sente presa em sua vida pessoal e profissional. Depois de se recuperar de uma série de eventos traumáticos, ela busca a ajuda do hipnoterapeuta conhecido por Dr. Meade (Jason O'Mara), para ajudá-la a compreender-se e se sentir melhor. Porém, após passar por algumas sessões de hipnoterapia, ela percebe que seu comportamento está um tanto diferente e sofre alguns apagões que, após acontecerem, trazem algumas fragmentações um tanto duvidosas sobre o que teria acontecido. Surge então a grande questão dentro do filme: será que as sessões de hipnoterapia são responsáveis por esses acontecimentos? Qual o real intuito do Dr. Meade dentro da trama? Será que ele é o vilão da história? Ou quem sabe são apenas ilusões criadas pela mente de Jenifer? Ela busca a ajuda do detetive Wade Rollins (Dulé Hill), e junto a ele tenta unir as peças desse quebra-cabeça antes que seja tarde demais e antes que aconteçam consequências mortais. Será que o filme é bom mesmo? Eu vou dar a minha opinião no fim deste post.
O filme começa com uma mulher claustrofóbica dentro de um elevador que começa a se fechar em cima dela. Para quem é claustrofóbico, é uma cena bem apavorante, com certeza. Eu vou falar sobre este assunto mais adiante nesta análise. Em seguida temos uma cena em uma festa de casa nova na qual a personagem principal é apresentada, por sua amiga, a anfitriã da festa ao dr. Meade. Nesta cena, A dona da casa fala a seguinte frase: “Todo mundo precisa de terapia, isso é o que dizem, né?” Sim, isso é verdade. Todos nós precisamos de terapia, mesmo que não percebamos isso. Pois justamente os nossos problemas, aquilo que nos incomoda, digamos que 99 por cento das vezes se encontram em um ambiente desconhecido. Até porque se fossem conhecidos, nós os eliminaríamos. Pois não queremos sofrer ou nos incomodar não é mesmo. Muitas vezes achamos que compreendemos o que nos incomoda. Mas na verdade temos apenas um vislumbre do que acreditamos ser o coração do problema. Mas lamento lhe dizer isso, não é. O âmago do que nos incomoda reside em uma parte profunda de nosso subconsciente e não é conhecido por nós. Na hipnoterapia é possível descobrir a causa dos nossos problemas e ressignificá-las. Trazendo uma melhora significativa para o sujeito que se permite fazer a terapia. Então, sim, a terapia é útil para todo e qualquer indivíduo.
Na mesma festa surge uma questão dirigida ao próprio terapeuta. Terapeutas podem ir a festas de paciente? Esta é uma questão difícil, por mais que não pareça. Porque nós somos seres humanos. E é claro que eu, Fabiano Machado, gosto e festas, de bebidas, de comidas e de conversar. É claro. Mas eu deveria ir a uma festa de uma paciente? Esta opinião eu vou lhe dizer que é completamente pessoal minha. Eu digo que depende de qual a minha relação com este paciente. Ele tornou-se um amigo? É muitíssimo comum nos tornarmos amigos de nossos pacientes ou já sermos amigos de nossos pacientes. Isso porque nós estamos falando de relações humanas e de um indivíduo, que apesar de estar lhe oferecendo um serviço pago, está lhe ajudando. E por ter sido ajudado, muitas vezes, o paciente se sente agradecido pela ajuda. E cria uma afeição pelo terapeuta. E não há nada de errado nisso. O que tanto o terapeuta quanto o paciente devem tomar cuidado ou dar atenção é o fato de que o paciente se encontra vulnerável durante o processo terapêutico e pode fazer uma transferência, o que é comum. Que é quando o paciente pode criar no terapeuta uma figura arquetípica relacionada a afeição, segurança, proteção, e isso pode se confundir com algum tipo de relação amorosa. Neste caso, a continuidade da relação entre ambos deve ser apenas de terapeuta, paciente. Por exemplo, eu já tive clientes mulheres que me convidaram para festas, mas que trataram problemas de relacionamento comigo. O que me fez não manter uma relação muito próxima com estas clientes, principalmente no envolvimento próximo a quando a terapia foi feita. Então depende do tratamento, pode ser mais ou menos conveniente.
Vamos pular agora para a primeira consulta de Jenifer com o dr. Meade E vamos falar bastante sobre esta primeira consulta a partir de agora. Logo ao chegar ela fala: “Nossa, aqui é aconchegante!”. Na verdade, pode não parecer nada, mas muitas pessoas acreditam que a hipnoterapia é algo sombrio, estranho. Talvez por causa do Pica-Pau. Na verdade, o consultório tende a ser aconchegante e principalmente relaxante. Há uma poltrona ou um divã propícios ao relaxamento para que o cliente entre em transe e possa mergulhar em suas memórias mais profundas.
Na primeira sessão, o dr. Meade diz que “hábitos ruins vem de questões mais profundas, sempre tem uma causa”. Sim, perfeito. E essa causa é o mais importante a se dar atenção durante o tratamento, pois uma vez descoberta a causa, é possível dar um novo significado a ela.
Em seguida, ele faz o que chamamos de anamnese, que é quando o terapeuta procura entender um pouco mais sobre o problema do paciente e faz anotações das informações mais importantes para acompanhamento e análise dessas informações e parâmetro de melhora mais adiante durante a terapia. Ah e pra ficar bem claro, quando eu falo terapia, é uma maneira informal de falar, mais eu estou me referindo a psicoterapia, quem trata a mente é o psicoterapeuta e ele faz uma psicoterapia, porém é muito mais comum e fácil falar terapia, terapeuta. Eu falo sobre esses termos no post Psicoterapia. Inclusive quando você ver o filme ou rever o filme, pause ele na festa e observe o que está escrito no cartão que o dr. Meade dá para a Jenifer. Será que é terapeuta, psicoterapeuta ou hipnoterapeuta? Comente embaixo depois que assistir.
O dr. Meade fala o seguinte: “Só você pode controlar o seu subconsciente, então você tá no controle o tempo todo”. Será que isso é verdade? Bem, a resposta é sim e não. Aqui teoria e prática se conflitam um pouco. E vão entrar em conflito em alguns momentos neste post, o que é absolutamente normal. Realmente é o indivíduo que está no controle de sua mente 100% do tempo. Não há dúvida alguma quanto a isso. No vídeo sobre Hipnose e Hipnoterapia eu afirmo que: “Hipnose é a ultrapassagem do nível crítico da mente consciente e o estabelecimento de um pensamento ou sentimento elegido e permitido”. Isso permanece sendo verdade. O que acontece então? É possível enganar a pessoa para que ela não perceba que ela está no controle de sua mente? Sim, mas a pessoa sempre está no controle. E é ela quem permite essa enganação, o que não seria algo muito simples de se fazer. Neste caso, em teoria, é possível, mas quanto a prática, bem eu nunca fiz, então não sei lhe afirmar se a prática disso é real. E essa questão sobre o comando da mente vai ser parte da trama principal, principalmente durante os apagões da Jenifer.
O dr. Meade diz que a hipnoterapia é uma excelente ferramenta para pessoas que sofreram traumas. Este assunto não preciso nem falar. Com certeza é uma das melhores ferramentas em termos de psicoterapia no mercado atual.
Ele menciona o seu mentor, e diz que: “Métodos prosaicos são reservados para os que não tem imaginação, quem está em busca de resultados duradouros ousa abrir a mente”. Perfeito, a hipnoterapia se utiliza também da imaginação. E, Einsten já dizia “não é possível resolver um problema com a mesma mentalidade com a qual ele foi criado”. Nós temos que nos permitir abrirmos a mente para novidades.
Jenifer diz que só quer ser feliz de novo. Perfeito a maioria dos pacientes quer isso, ou voltar à normalidade ou ser feliz. É um padrão. Geralmente é o que o paciente procura, ser feliz. Todos queremos e merecemos ser felizes, não é mesmo?
A hipnose começa. Não a hipnoterapia, a hipnoterapia começou quando o hipnoterapeuta começou a conversar com a paciente. Desde a abordagem, o processo de hipnoterapia tem um início. Durante a hipnose, ele se utiliza da fragmentação através de luzes, perfeito. Pode ser feito com abrir e fechar os olhos, por exemplo, é algo que vem lá de Dave Elman, um hipnotista famoso. Ao mesmo tempo ele está fazendo um relaxamento muscular no qual ele está estimulando o relaxamento do corpo da paciente, perfeito. A ideia aqui é fazer com que o corpo não seja um empecilho durante a terapia. Não só o corpo, mas tudo a sua volta. Para que tudo o que é externo seja esquecido ou que fique em segundo plano. Para que a paciente possa dar total atenção a sua mente.
Em seguida, ele a coloca em uma floresta. Este é o que poderíamos chamar de local seguro. Eu não coloco necessariamente em uma floresta, até porque eu posso estar lidando com um paciente que tem medo ou fobia de animais, de insetos, ou da floresta em si. Então o que eu faço? Eu deixo ele escolher o seu lugar seguro. Pode ser uma praia, uma lagoa, ou qualquer outro local em que ele se sinta bem, pode ser até mesmo um local inventado, o espaço, a lua, etc. Mas um local totalmente seguro. E por que se utilizar de um local seguro? Porque caso a lembrança que está sendo acessada, o trauma, seja muito pesado, é possível trazer o paciente para esse lugar onde ele fica seguro novamente. Eu converso então com o paciente e trago segurança para podermos dar seguimento no tratamento. Meu local seguro é o meu sítio, mais precisamente andando de stand up em uma lagoa. É o meu paraíso. E o interessante é que ele existe e vou lá com frequência no mundo físico.
Em seguida, há um lapso de tempo, e a Jenifer desperta da terapia e percebe que já se passou uma 1h, mas achava que tinha passado apenas 3 minutos. Bem isso é verdade. O tempo é diferente e ele passa mais devagar para quem está em transe. Aqui a relatividade de Einsten entra com tudo. É absolutamente normal a percepção de tempo ser extremamente diferente. Porém não é normal não se lembrar do que aconteceu. Tem algo estranho aí. Tem caroço nesse angu. Isso é duvidoso pra caramba. Não é pra rolar não. O normal é sair do transe lembrando de tudo o que aconteceu. As vezes não é possível lembrar tudo de imediato, mas a memória da sessão vai aparecendo aos poucos, ao longo do dia. Mas esquecer todo o transe, não rola. A não ser que tenha alguma maldade envolvida. Daí você que está lendo este post tem que ver o filme pra descobrir. Até aqui eu não estou dando nenhum spoiler, até porque o próprio trailer do filme mostra que esse personagem, o dr. Meade, tem um caráter duvidoso. A questão que quem não viu o filme ainda deve pôr em prática é se ele é ou não o vilão da história. É uma das questões que são trabalhadas no decorrer do filme. E essa questão do tempo vai ser trabalhada durante todos os apagões que a Jenifer experiencia.
Isso tudo que eu mencionei agora acontece na primeira sessão dela. Em seguida temos um lapso de tempo no filme. Passam-se 3 meses. E a Jenn fez cerca de uma sessão por semana com o dr. Meade nesse período. O que daria aproximadamente 8 sessões. Bem aqui nós temos dois fatores, um é o fato de que o período ideal entre sessões deve ser de no mínimo uma semana, pois demora para o subconsciente se acostumar com o que foi trabalhado. E, portanto, esse período é necessário. Até para a consolidação de novos hábitos. O outro fator é o número de sessões. Claro que cada caso é diferente um do outro, mas 8 sessões podem ser consideradas um número bastante expressivo. Porque geralmente tratamentos de problemas ou traumas bem pesados podem ser resolvidos em duas ou três sessões. Que é o que faz a hipnoterapia ser um tratamento muito eficaz. Por dois motivos na verdade. Por acessar a causa do problema dentro da mente subconsciente e por fazer isso muito rapidamente.
Em seguida, sua amiga fala que gostaria de fazer hipnose para tratar sua aracnofobia. Perfeito a hipnoterapia pode tratar qualquer tipo de medo ou fobia, por mais extrema que seja. Justamente porque além de encontrar a causa, é possível colocar o paciente diante do seu medo de forma mental e dessensibilizar esse medo.
E esse doutor, além de ser bem aperfeiçoado, digamos assim, ele é muito inteligente. Ele tem um conhecimento bastante amplo. E, tomando um café com a Jenifer, ele diz: “É importante lembrar que ser uma vítima é uma escolha. E podemos deixar que nossas dificuldades nos definam, consumam ou podemos aceitar as oportunidades extraordinárias que temos nessa vida pra criar o resultado que escolhemos pra nós mesmos”. Perfeito. Foi pra filosofia, existencialismo, Jean Paull Sartre. É uma filosofia de vida que deve ser abraçada. Jean Paula Sartre, filósofo francês do século passado, vai nos dizer que: “O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós”. Que traz a ideia de que por mais que nós procuremos agir da melhor maneira possível, há coisas que o mundo vai nos apresentar que não são agradáveis. Mas isso não importa quando nós sabemos lidar com nós mesmos diante daquilo que a vida nos apresenta. Somos nós e inteiramente nós os responsáveis por nossa felicidade. Esse cara aí. Tá ficando difícil de não cair na lábia dele. Ele é bom. Ele tem conhecimento.
Quando Jenn e sua amiga vão falar com o policial Wade, ele menciona que a polícia faz uso da hipnose para ajudar as testemunhas a se recordarem de coisas que tenham visto. Uma ideia que é reforçada e útil mais adiante na trama do filme. Perfeito. Isso é possível e acontece, não com tanta frequência. Mas é possível em teoria e na prática. Pois tudo o que nós observamos fica guardado em nossas memórias de longo prazo (para saber mais sobre memórias de longo prazo e outros tipos de memórias, leia o post Memória). E toda a informação que experienciamos pode ser resgatada, por mais que não nos lembremos de forma consciente. Quanto a ser evidência em tribunal não sei dizer que por si só é aceita. Acredito que seria preciso outras evidências físicas para serem anexadas junto as memórias para que a informação viesse a ser tida como prova.
Um pouco mais adiante no filme, a Jenifer grava uma das sessões do dr. Meade e logo no início da sessão ele pergunta se ela está dormindo. Isso na verdade não acontece, a pessoa não dorme, ao contrário, ela fica em hiperfoco, que é uma hiperconcentração. O que acontece com o corpo é que ele relaxa. Existe um personagem famoso dentro da hipnose no Brasil chamado Fabio Puentes. Um hipnólogo uruguaio que esteve em diversos programas de televisão na década de 90 e hoje em dia ainda é muito famoso. E ao colocar a pessoa em transe ele falava em espanhol “bem dormido”. Essa frase ficou famosa no Brasil. Muito hipnológos usam a palavra durma ao colocar uma pessoa em transe. Talvez até mesmo por ter como referência o Fabio Puentes. Mas na verdade a palavra durma poderia ser substituída por qualquer outra palavra, “cachorrinho”, por exemplo, ou “Papai Noel”. Qualquer palavra, contanto que haja uma explicação do hipnológo de que ao ouvir determinada palavra ele entrará em transe. Mas em relação ao filme, eu não perguntaria se a pessoa está dormindo, na verdade, poderia perguntar se ela está se sentindo bem relaxada.
Neste momento surge também uma outra questão. A Jenifer conta verdades que talvez não desejasse contar. É possível contar segredos para o hipnólogo? Sim, mas vai entrar no quesito da ideia que eu mencionei lá atrás sobre quem tem o comando da mente. Ninguém pode comandar a mente de ninguém a não ser que a pessoa permita ou seja enganada em fazê-lo.
Entramos então em uma cena muito importante que é o mesmo tipo de cena com a qual o filme começa, a cena do elevador. Nesta cena a amiga de Jenifer, que tem aracnofobia, vê uma aranha que não existe fisicamente subir o seu peito. É uma alucinação. Eu não vou entrar em detalhes. Não quero dar spoilers para não estragar a sua diversão, caso você ainda não tenha visto o filme. Vamos analisar a ideia da alucinação. É possível alucinar com a hipnose? Sim, certamente que sim. Há dois tipos de alucinações: as positivas e as negativas. E elas não tem a ver com bondade ou maldade. Não. Na alucinação positiva, colocamos no ambiente físico algo que não existe fisicamente, apenas a mente de quem está sendo hipnotizado pode ver. Que é o que acontece no filme. Então por mais que você não acredite, aquelas ilusões que parecem ser muito reais são sim verdadeiras na prática. Eu posso fazer você ver um dragão, um unicórnio, ou o que quer que seja, inclusive o que você mais tem medo. E posso inclusive mudar o ambiente inteiro onde você está e fazê-lo acreditar que você está em um local totalmente diferente do local físico em que você se encontra. Mas por que eu faria isso? A não ser que você me pedisse e quisesse passar por este tipo de experiência. Na alucinação negativa, tira-se do ambiente algo que existe fisicamente nele. Por exemplo, posso fazer com que você não veja uma pessoa que existe na sala ou um objeto qualquer. Posso, por exemplo, voltar no tempo e fazer com que você nunca tenha conhecido o seu ex, ou a sua ex. O problema é encontrá-lo ou encontrá-la na balada e ficar com ele ou ela novamente, não é mesmo! Brincadeira, mas é sim possível. Principalmente com pessoas sonambúlicas. O que são pessoas sonambúlicas? São aquelas pessoas que entram em transe profundo facilmente. Esse tipo de pessoa alucina com muito mais facilidade. Mas todos podem alucinar, alguns com um pouco mais de trabalho.
E a partir de agora, para não dar grandes spoilers, eu não vou falar de cenas específicas, mas sim de algumas questões que surgem no decorrer do filme. É possível dar comandos específicos para a pessoa? Como, por exemplo, petrificar uma pessoa, fazê-la não conseguir falar, dar comandos específicos? Sim, é possível. Posso fazer uma pessoa gaguejar, chorar, dar risadas, ficar com a voz fina, com a voz grossa, ficar sem poder falar, sem poder se mexer, sem poder abrir os olhos, se apaixonar, qualquer coisa envolvendo emoções, e a fisiologia, assim como os músculos, porém de forma temporária. Não dá pra fazer se apaixonar eternamente. Mas é possível curar uma gagueira completamente e definitivamente. Porque tudo é um processo mental, quando comandamos a mente, comandamos as emoções e as reações fisiológicas. A mente manda um comando para o cérebro que manda impulsos para o corpo e o corpo reage a esses comandos.
Agora entramos em uma questão muito séria e que nos traz uma reflexão muito profunda. É possível hipnotizar e programar alguém para assassinar uma pessoa sem que esta pessoa saiba o que está fazendo? Do tipo American Ultra? Sim, é possível. E este experimento foi feito pelo ilusionista inglês, Derren Brown, e é conhecido como “The Assassin” (O Assassino). No qual ele hipnotisa e estimula uma pessoa a cometer um assassinato sem que ela tenha noção ou se recorde do que ela está fazendo. Por incrível que pareça, isso é possível. Mas não seria uma tarefa fácil. Provavelmente seria preciso uma pessoa extremamente sonambúlica e um transe contínuo, bem alimentado e profundo. Clique neste link para assistir ao vídeo do episódio completo: The Assassin.
É possível um determinado hipnoterapeuta hipnotizar uma pessoa ao ponto de ela não conseguir se hipnotizada por outra pessoa? Ou seja, outra pessoa não pode acessar a mente do indivíduo. Sim, isso existe. No filme isso é mencionado como “medida de segurança”, mas entre os hipnoterapeutas é conhecido por outro nome. Se chama “selo hipnótico”. E é considerado como uma conduta antiética dentro da hipnose. Pois impede que outros profissionais possam acessar a mente desta pessoa e ajudá-la.
Quando uma pessoa está em transe ela recebe sugestões diretas em seu subconsciente com o intuito de fazê-la se sentir melhor. E algumas dessas sugestões são feitas para serem utilizadas após o transe. No filme são chamadas de sugestões pós-hipnóticas. Perfeito. É isso mesmo. As sugestões podem ser inseridas e removidas. Dependendo do objetivo dentro do tratamento, algumas sugestões permanecem com o paciente. Por exemplo, digamos que um paciente tem interesse em emagrecer, podemos instalar uma sugestão que faça com que a sua mente envie uma mensagem para o cérebro dizendo que este paciente está satisfeito, e então o cérebro processa neurotransmissores que criam uma reação fisiológica fazendo com que o corpo acredite que já está saciado. Não sentindo assim, fome. Para acionar essas sugestões o hipnoterapeuta utiliza-se de âncoras, que são os gatilhos que quando ativados fazem a mente entender que deve seguir determinado comando. Como apertar o pulso pra se sentir relaxado ou com sono, ou sentir um bem-estar. A âncora pode ser também uma palavra ou uma frase. Qualquer coisa pode ser uma âncora, que serve como comando para a mente. E é possível criar uma âncora que inove ou modifique uma outra âncora (um contra-gatilho, como é mencionado no filme), sim, isso também é possível. Para saber mais sobre a âncora, acesse o post A Âncora.
Em determinado momento do filme, mais para o final, próximo ao clímax, a seguinte frase é dita: “O poder da hipnose: a lembrança, plantada na mente com a quantidade certa de cuidado e atenção vai florescer numa realidade nova, numa vida nova. Faz alguém acreditar que está em um lugar diferente, ou ficar paralisada da cabeça aos pés. Tudo com uma simples… sugestão”. Perfeito. A hipnose é uma ferramenta muito poderosa, e em conjunto com terapia pode ser muito eficaz no tratamento de transtornos psíquicos.
Em determinado momento, Jenifer fica com as mãos presas por causa da hipnose e não consegue soltá-las, estando com os olhos abertos e querendo se soltar. Isso é possível? Sim, e dependendo do caso, não é realmente possível se soltar. Porque o que acontece não é uma prisão física, e sim uma prisão mental. Que é muito mais poderosa do que uma prisão física. Mas volto a dizer, tem que ter o consentimento da pessoa, ou enganá-la, porém ambos só acontecem com a sua permissão.
E a auto hipnose, ela existe, é possível fazê-la? Sim, existe e é possível fazê-la, mas é preciso bastante concentração, pois a tendência é adormecer quando se está praticando. Não é viável com qualquer tipo de tratamento, justamente por haver a dificuldade em percebermos nossos próprios defeitos. O ideal é ter um hipnoterapeuta especializado para nos ajudar durante o transe, para conduzir a mente onde se deseja chegar. Esse profissional serve como mediador entre o paciente e seu próprio subconsciente.
Então vale a pena assistir ao filme? Claro que vale. O filme é muito bom. E a maioria das informações condizem com a realidade. Se você é como eu e gosta de um filme inteligente que faz pensar, que traz uma trama envolvente e desafiadora. Este é o filme feito pra você. Tenho certeza que você vai gostar. Depois de assistir deixe a sua opinião nos comentários. Me conta o que você achou. Eu adoraria saber.
Para assistir ao vídeo deste post, acesse o link: Hypnotic (Análise Completa do Filme)





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